sexta-feira, 12 de junho de 2009

Suave coisa nenhuma

Há tempos quero escrever sobre o Amor, mas sempre que começava, desistia por achar o tema tão complexo quanto a minha relação com o próprio e com o sexo oposto.
Depois de pensar muito se acreditava ou não, se já o havia sentido ou pelo menos passado por ele na rua - talvez na forma de alguém como o... Wagner Moura ou o Bruno Garcia - resolvi me informar mais e reavaliar velhos conceitos.
Procurava uma nova reflexão, alguém que me explicasse com propriedade.
Incumbi-me de ler "O Banquete", Platão, no qual Sócrates faz um belíssimo discurso sobre o Amor, nos fazendo crer que este nada mais é que uma necessidade. Necessidade do que não nos pertence. Claro, pensando logicamente, porque o que já temos, não precisamos nem desejamos. Usando uma explicação do próprio Sócrates, posso tentar resumir a idéia principal do que ele diz. Creio eu que já somos ensinados, desde sempre, que o Amor só há naquilo que é bom e belo, certo? Então, segundo ele, se o Amor precisa do bom e do belo para existir, significa que não os tem. O que quero dizer é que passamos toda a nossa vida procurando em outra pessoa aquilo que nos falta, o que achamos que irá nos completar. E isso, além de nunca ter fim, ainda me dá nó nos pensamentos.
Mas depois de reler muitas vezes o que Sócrates falou, voltei algumas páginas e cheguei a Aristófanes. Em seu discurso, super bem-humorado, ele diz que nós, seres humanos, tínhamos quatro braços, quatro pernas, dois rostos, dois sexos. E quando estes seres voltaram-se contra os deuses, Zeus os castigou cortando-os ao meio e fazendo de um, dois. Desde então, nos foi imposta a condição de procurarmos nossa outra metade por todo o sempre. E se esta morre ou se perde nós, procuramos outra e outra e outra.
Ainda preciso ler, estudar muito e, principalmente, viver para chegar a uma conclusão. Mas por enquanto gosto de acreditar que o que procuramos, o que desejamos, não é necessariamente nossa metade. Talvez seja a companhia para um oitavo da pizza do sábado à noite, um terço do saco de pipoca, ou até a metade, vai... mas do sofá, quando deitamos juntos pra ver um filme antes de dormir.
E se até Afrodite, deusa poderosa, teve inúmeros amores, inúmeras metades... por quê não nós?
O test-drive serve pra quê?



Em verdade vos digo: Não exijo um George Clooney, mas um frio na barriga...

2 comentários:

  1. Pq não um frio na barriga por causa do George Clooney (ou algo parecido...)??? rsrs

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  2. Tem razão... Ou quem sabe Chico Buarque, Seu Jorge, Wagner Moura, Baleiro, Luis Miguel...Ihhhh, a lista vai longe...

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